SELVA É VIDA

SELVA É VIDA

Guarda Civil Ambiental

Aproximadamente 30% do território da cidade de São Paulo ainda é coberto por Mata Atlântica preservada. A maior parte na zona sul, em Parelheiros, onde ainda temos tribos de índios e uma vasta diversidade de vida selvagem, plantas nativas, trilhas e cachoeiras. Os outras áreas maiores estão na Serra da Cantareira (zona norte) e Parque do Carmo (zona leste), mas outros fragmentos menores ainda resistem até mesmo no coração da cidade, mais precisamente no Parque Trianon, em plena avenida Paulista. Para se ter uma ideia da dimensão dessa floresta toda, apenas a região de Parelheiros, é quase o tamanho da zona leste toda da cidade, essas áreas de Mata Atlântica preservada na capital é maior que as cidades São Bernardo do Campo, São Caetano e Diadema juntas.

Cuidar disso tudo não é tarefa fácil, e grande parte dessa missão está depositada na Guarda Ambiental, um destacamento da Guarda Civil Metropolitana criado em 1999 sob o nome GOPE (Grupo de Operações Especiais), em uma época em que pouco se falava em preservar o meio-ambiente. Também foi a GEPAM (Grupo Especial de Preservação Ambiental). Com o aumento das demandas, criou-se a Superintendência de Defesa Ambiental, com aproximadamente 350 guardas.

Mata Atlântica na cidade de São Paulo

Para cada integrante da Guarda Ambiental é oferecido um curso de capacitação de 120 horas, que passam por cursos de legislação e educação ambiental, resgate de animais silvestres, combate a incêndio em mata, técnicas com cordas, meios de flutuação e embarcação, técnicas de sobrevivência em matas além de serem submetidos a testes físicos. Após a aprovação são distribuídos para as unidades ambientais e assim são responsáveis pelo policiamento em Áreas de Preservação Ambiental (APAs), unidades de conservação, áreas de preservação permanente, fiscalização de transporte de resíduos sólidos, fiscalização de embarcações em nossas represas e fiscalização de invasões em áreas de preservação.

O policiamento ambiental atua pela preservação e recuperação das APAs (Áreas de Proteção Ambiental) visando prevenir e reprimir ações predatórias. Entre elas, o tráfico e comercialização de animais e o combate a incêndios florestais, que por sua vez causam impactos negativos para a flora, fauna e população. As ações desenvolvidas pelo grupamento ambiental são realizados por policiamento ostensivo terrestre, náutico, aéreo (drones), inteligência policial e integração com outros órgãos.

Curso de capacitação ambiental para agentes da GCM

Outra responsabilidade da GCM AMBIENTAL a proteção do patrimônio ecológico, cultural, arquitetônico e ambiental da cidade, adotando medidas educativas e preventivas.

Atualmente a cidade de São Paulo conta 455 mulheres e homens divididos em 4 inspetorias regionais de defesa ambiental (IRDAM): 

  • Capivari-Monos: responsável pela grande área da Mata Atlântica na zona sul. Conta ainda com duas bases fixas de defesa ambiental, a da Barragem e Evangelista de Souza.
  • Carmo: engloba grande parte de áreas de preservação na Zona Leste mas com uma função mais híbrida, pois além dos animais, a região tem grande incidência loteamentos irregulares e descarte de entulhos.
  • Anhanguera: localizada na zona noroeste e responsável pelo pela serra da Cantareira e Pico do Jaraguá (ponto mais alto da cidade), conta também com uma base fixa de defesa ambiental na Cantareira.
  • Ibirapuera: também com funções diferenciadas, já que além do policiamento ambiental, é de sua responsabilidade garantir a segurança dos milhares de frequentadores diários do Parque do Ibirapuera.
Viatura da GCM Ambiental e ao fundo a Inspetoria Regional de defesa ambiental Capivari-Monos, em Parelheiros

Para se ter uma ideia do tamanho da necessidade em aumentar o efetivo, estatísticas de 2017 (https://www.redesocialdecidades.org.br/br/SP/sao-paulo/area-verde-por-habitante) demonstram que tínhamos 194.138.890m2 de áreas verdes na cidade, ou seja, são mais de 400km2 para cada guarda ambiental cuidar.

A cidade também tem áreas de mananciais que devem ser preservadas. É comum encontrarmos construções irregulares nas orlas das represas. Edificações construídas com uma velocidade muito grande e muito difícil de ser combatida, seja por dificuldades de acesso ou até mesmo por ordens judiciais. Entretanto, a GCM Ambiental é ativa nessa fiscalização e é comum derrubada de obras no seu início, mas de qualquer maneira o maior mal já foi realizado, o desmatamento de área nativa.

Policiais da GCM Ambiental combatendo focos de incêndio em Parelheiros

Também é responsabilidade da Guarda Ambiental fiscalizar os transportadores de resíduos sólidos (caçambeiros). Muitos desses profissionais não realizam o trabalho para o qual foram contratados. Não fazem o descarte do entulho nos locais cadastrados, buscam locais desertos, até mesmo no centro, para descarregar e sujar nossa cidade. O munícipe bem intencionado acaba pagando por um serviço não realizado. E isso acaba onerando mais uma vez os cofres públicos. 

Quem mora em São Paulo, à vezes não se dá conta de todo esse verde. Estamos acostumados a viver e olhar a nossa selva de pedras, com edifícios enormes, e deixamos de valorizar nossas riquezas. Para se ter uma ideia do quanto nossa fauna e flora é rica: apenas no Parque do Ibirapuera, que está praticamente no centro da cidade, são mais de 300 espécies de animais e mais de 500 tipos de plantas e árvores diferentes.

Base de Defesa Ambiental da Barragem

As metas de nossos Guardas Ambientais são, preservar o que temos, criar ações para ampliar áreas verdes, criar núcleos de educação ambiental, diminuir as invasões, preservar a fauna e flora, combater o tráfico e venda de animais silvestres, combater incêndio provocado em matas, entre outras ações.

O número de emergência “153″ é a central de atendimento da Guarda Civil Metropolitana, e quando o chamado é na questão ambiental, as equipes são rapidamente acionadas para que o atendimento seja o mais breve possível.

Onça-parda no asfalto de uma avenida na zona norte

Uma curiosidade aconteceu ano passado. Uma onça-parda foi atropelada em uma avenida no Tremembé, zona norte. A via foi interditada e quando a Guarda Ambiental chegou, o animal já tinha se recuperado e retornado para a mata. Ainda sim, os policiais fizeram buscas para ter certeza que a onça estava totalmente recuperada ou precisaria de algum tratamento (https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/09/30/onca-parda-e-atropelada-em-avenida-de-mairipora-na-grande-sp.ghtml).

Isso é um pouco da Guarda Civil Ambiental, um policiamento voltado para proteção da nossa maior riqueza, o nosso meio-ambiente, afinal “Selva é vida”.

2 Replies to “SELVA É VIDA”

  1. Muito bom, é importante que todos tenham conhecimento desse trabalho árduo e inesgotável, a preservação do meio ambiente está diretamente ligação á preservação da vida humana na terra.

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